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Artigo publicado na Revista Nacional de
Reabilitação - ANO VI - Número 30 - Janeiro/Fevereiro
de 2003. Clique aqui
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OS BENEFÍCIOS DO MÉTODO MEIR SCHNEIDER
DE SELF-HEALING EM UM CASO DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE
ZANCO,O.*
Introdução
O método Meir Schneider de Self-Healing¹
tem como premissa conscientizar o indivíduo de sua responsabilidade
sobre a sua própria saúde. Nos atendimentos, procura-se
ensinar o paciente a reconhecer seus padrões posturais e a conectá-los
com as suas tensões e processos patológicos. Também
se busca a quebra de vícios de postura e emocionais, antigos e
repetitivos, aumentando, assim, um leque de possibilidades de movimentos,
obtendo uma redução de dores, fadiga, estresses e tensões.
No método utiliza-se, de uma forma combinada, massagens, movimentos
(do passivo e lento ao dinâmico), exercícios de respiração,
visualização, relaxamento e trabalho monitorado na água,
quando possível.
Dentro desta dinâmica tem-se observado o benefício obtido
por muitos pacientes, até a reversão de alguns quadros patológicos,
como artrite, artrose, espondilites, diversos problemas da coluna, osteosporose,
doenças neurológicas degenerativas (esclerose múltipla,
esclerose lateral amiotrófica, distrofia muscular, etc) e problemas
da visão (diplopia, glaucoma, hipermetropia, miopia, degeneração
da mácula, etc).
A espondilite anquilosante (EA)² é uma doença reumática,
progressiva, que afeta os tecidos conectivos. Caracteriza-se pela inflamação
das articulações da coluna vertebral e de grandes articulações
como as dos quadris (sacro ilíacas) e ombros. Pode, às vezes,
atingir os olhos e as válvulas do coração. Os sintomas
podem variar de simples dores nas costas até fortes dores nas juntas
em geral e em outros locais do corpo. Como resultado, pode-se chegar a
uma grande incapacidade, pois há 'congelamento' das vértebras,
ou seja, elas vão se fundindo uma nas outras, se deformando e isto
vai dificultar um simples passo, impossibilitando o caminhar com o decorrer
do tempo.
A EA faz parte de um grupo de doenças conhecidas como espondiloartropatias,
junto com a síndrome de Reiter, alguns casos de artrite psoriásica
e a doença inflamatória intestinal (Chron, retocolite ulceratica,
etc).
Caso clínico
F. C.C., sexo masculino, 42 anos, foi diagnosticado como portador da
EA ao completar 30 anos de idade. Chegou no consultório queixando-se
de ansiedade, tensão generalizada nas costas, com muitas dores
articulares nos quadris, ombros e pescoço e dores de estômago.
Apresentava limitações de movimentos, uma postura de esquiador
e a região abdominal bastante inchada e quase intocável
devido ao grau de dor e tensão.
Emocionalmente mostrava muita irritabilidade, desânimo, medos e
muita raiva pela sua condição física.
Em suas primeiras entrevistas o paciente relatou que desde os 12 anos
sentia o corpo rígido, mas como não havia manifestações
de dores, tanto ele quanto os pais consideraram esse fato normal. Na fase
adulta, por volta dos seus 28 anos, as dores foram surgindo e, com uma
postura bastante comprometida pela tensão e rigidez (com anquilose
na região dos quadris e cervical), procurou um médico ortopedista
e, ao submeter-se a exames radiológicos e de sangue, foi diagnosticado
portador da doença de EA. A partir desta data sua condição
foi piorando muito, tanto as dores como a limitação articular,
expandindo o processo de anquilose para outras regiões do corpo,
como virilhas e coluna vertebral. O paciente então, foi medicado
com antiinflamatórios. Fez uso diário de 40 a 50 mg por
dia, durante nove anos consecutivos. A medicação retirava
as dores, permitindo levar uma vida normal, porém, continuava piorando
as suas condições articulares. Começou a ter dificuldade
para dirigir e barbear-se (em função do avanço da
anquilose na região cervical). Nessa fase, somado ao uso dos antiinflamatórios,
passou a tomar medicamento também para gastrite, além de
tranqüilizantes e antidepressivos.
O tratamento
Devido à tensão e ansiedade, solicitou-se ao paciente que
permanecesse deitado, numa posição bem confortável,
enquanto ia sendo orientado a executar exercícios respiratórios.
Pediu-se que observasse a aquisição de mais circulação
e movimento no seu abdômen. Para obter esta percepção
e facilitar o movimento estes foram intercalados com massagens suaves
e compressas aquecidas. Instruía-se ainda o paciente a visualizar
a expansão e relaxamento do diafragma e de toda a região
abdominal durante estes procedimentos.
Aos poucos, após algumas sessões, o paciente foi ganhando
amplitude respiratória, bem estar e confiança para tentar
fazer movimentos ao qual não estava mais acostumado, como rolar
de um lado para o outro, engatinhar para frente e para trás e andar
de marcha ré. Estes exercícios que o paciente a principio
considerou esquisitos, mas com o tempo, passou a gostar muito, foram incluídos
em sua rotina de exercícios diários de alongamentos, pois
ele percebeu o quanto estes davam amplitude aos seus outros movimentos.
No método de Self-Healing se pretende sempre ampliar a quantidade
e a qualidade dos movimentos executados. Sabe-se que o antídoto
para esta doença - EA, comprovado e indicado pela classe médica,
é a correção do movimento e da postura da pessoa.
Isto porquê há uma tendência dos ligamentos articulares
se endurecerem e contraírem. Portanto as articulações
devem ser estimuladas por meio de movimentos que as alonguem e separem.
Mas o paciente deve aprender a perceber isto. Daí que sempre ao
se iniciar os movimentos de rotações articulares e os alongamentos
(flexão, abdução, extensão, etc), procurou-se
que F. estivesse atento à forma de execução destes,
pesquisando, junto com ele, quais procedimentos anteriores os facilitavam.
Por exemplo: trabalhava-se com respiração pausada e profunda,
principalmente durante a execução dos exercícios
nos quais ele encontrava maiores dificuldades e o terapeuta perguntava
se tinha ficado mais fácil fazê-lo. Também, após
fazer massagem nas costas, tentando abrir mais espaço entre suas
vértebras, obter maior amplitude, e ainda ativar ao máximo
o fator 'circulação' em seu corpo, o paciente respondia
às questões da terapeuta sobre o resultado obtido.
F. C.C apresentava, como outros portadores da EA, dificuldade de deitar-se
de bruços. Isto porque a estrutura nas costas e na cervical cria
pressão e, somado a tensão abdominal, gera um grande desconforto
e às vezes, até dor, ao deitar-se nessa posição.
Foi preciso desenvolver gradualmente a capacidade de deitar-se sobre
o abdômen. Para isso, ensinou-se ao paciente a deitar-se de costas
em diversas posições e observar como fazer para rolar sobre
o abdômen de um modo mais confortável. Terapeuta e paciente,
juntos, encontraram um exercício que foi facilitando a permanência
nesta posição: ele deitava-se sobre um rolo macio, de barriga
para baixo (como mostra a foto abaixo). Desta forma a coluna move-se formando
um arco alongando a região dorsal, ajudando, principalmente o músculo
quadrado lombar, que, por sua vez, tem ligação com a região
abdominal auxiliando no relaxamento dessa região.
Hoje, após dois anos de atendimento, trabalhando juntos uma vez
por semana, percebe-se o paciente bem menos ansioso, com maior capacidade
de movimentos, mais flexível e com raríssimas queixas de
dores do estomago. O abdômen apresenta-se sem inchaços ou
qualquer outro tipo de incômodo, sendo possível deitar-se
sobre ele por algum tempo (em decúbito ventral), sem o apoio de
rolos ou almofadas. O abdômen pode ser tocado sem problemas.
As crises da doença diminuíram significantemente ao ponto
do paciente estar, há já um ano e meio, sem necessidade
de usar antiinflamatórios e antidepressivos. Assim, o paciente
apresentou pouquíssimas crises de gastrite, que, aparentemente,
eram efeitos colaterais destes remédios.
Concomitante às sessões, F. praticou exercícios
na piscina, de duas a três vezes por semana e continuou freqüentando
seu reumatologista, para acompanhar seu estado de saúde (este solicita
exames e prescreve medicações quando necessário).
Depoimento do paciente
F. relata que, comparando o grau de dor que sentia antes, ao que sente
hoje, ele teve um ganho de 100% (cem por cento). Que, antigamente, além
dos incômodos gástricos, ele sentia-se como se seu corpo
estivesse sendo 'anestesiado' e a mente 'dopada', pelo uso de tantas medicações.
Disse que hoje tem mais consciência de si e dos cuidados que requer
esta doença. Que se sente 70% (setenta por cento) mais flexível,
não somente em relação ao corpo, mas, mais flexível
e amoroso consigo mesmo. Passou a se tratar, em vez de brigar com a sua
condição física. Ele dorme melhor, se alimenta melhor
e, quando se exercita tem consciência total de tudo que é
e não é benéfico para o seu corpo. Os exercícios
passaram a ser fonte de prazer e não mais um ato mecânico.
Isto é self-healing - esses novos hábitos de vida, essa
nova maneira de pensar. E como ele mesmo arremata:
"Hoje tento um plano A. Mas se o A não der certo eu acredito
e tento um plano B - há sempre uma saída para tudo"
(sic).
Com o sel-healing ele se tornou confiante de que há e sempre haverá
possibilidades e oportunidades para melhorar sua condição
e a sua vida.
Considerações finais
Percebe-se, especificamente neste caso, o quanto é necessário
dar atenção e conscientizar o paciente dos seus processos
limitantes, tanto físicos quanto emocionais; o quanto, muitas vezes,
mais que ensinar um exercício específico e adequado, um
toque, uma palavra amiga e solidária ajuda o paciente a despertar
para uma nova consciência e uma nova vida; o quanto estes procedimentos
colaboram para a diminuição dos sintomas e, às vezes,
a reversão da condição patológica que ele
vem apresentando.
Deve-se que recorrer a todas as ferramentas possíveis e disponíveis
para atuar de uma forma global, vendo o paciente em sua totalidade (corporal,
mental e emocional). Deve-se ensinar ao paciente a proporcionar a si próprio
as melhores condições para poder desbloquear os poderes
inatos, que o corpo e a mente possuem, de curar a si mesmo.
Com o paciente F., foi visto e comprovado o quanto é possível
recorrer à própria capacidade do corpo, do próprio
organismo, de curar a si mesmo e livrar-se de dependência químicas.
Referências Bibliográficas - Self Healing
1. SCHNEIDER, M. Manual de Autocura. SP, Ed. Trion, 1998.
2. www.reumatologia.com.br
*ODETE ZANCO
Terapeuta Practitioner/Educator Training pela School for Self-Healing
- São Francisco - EUA.
Especialista em tratamentos da coluna pela Clinica e Escola Fonte Ananda
(Dr. Edvaldo C.) - São Paulo/SP.
Diretora Executiva da Associação Brasileira de Self-Healing
(ABSH).
Para mais informações sobre Self Healing, acesse:
www.self-healing.com.br
/ www.self-healing.org e www.ufscar.br/~shealing
Consciência Corpo e Mente
Odete Zanco
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